sexta-feira, 7 de novembro de 2014

I Coríntios 4:1-6

V1 “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”.
Num contexto de divisão causada pelo sectarismo, isto é, por seguirem os homens e não a Cristo, no sentido de apontarem mais as suas vidas a eles do que à Palavra, Paulo vem dizer o que realmente importa, tanto para o povo de Deus, como também para aqueles que o lideram.
Desta forma, os cristãos devem olhar para os seus líderes espirituais não como os seus ídolos mas sim como aqueles que levam as suas vidas até Cristo.
O povo de Deus deve perceber que aqueles a quem Deus chamou para liderarem o Seu povo, são apenas ministros e despenseiros dos mistérios de Deus e que estão investidos de autoridade quando as suas vidas e as suas palavras são um reflexo da autoridade de Deus relatada na Sua Palavra.
Duas definições encontramos neste texto para os líderes da Igreja.
1º A palavra “ministro” era usada num contexto das embarcações dos navios para o “remador subordinado” a todos os outros. Estes eram aqueles que tinham que puxar mais pelos remos.
Eram os mais desprezados dentro do navio, pois tinham uma posição mais servil de todas.
Dessa forma, Paulo mostrou toda a sua humildade ao dizer “Olhem sim para os vossos líderes. Eles são servos mas servos de Cristo”.
Ou seja, Paulo não diz que os líderes da Igreja são servos da própria Igreja e por isso empregados daquilo que a Igreja decidir.
Ele é muito claro neste ponto, os homens a quem Deus chamou para cumprirem os ofícios na Igreja são meros servos de Jesus Cristo porque na verdade é a Deus que têm de prestar contas do seu serviço.
Servos de Deus servindo a Igreja.
2º Os líderes da Igreja são despenseiros dos mistérios de Deus
A palavra “despenseiros” era usada para alguém que cuidava de todas as responsabilidades domésticas do senhor a quem servia. Eram simples criados ou escravos.
Os mistérios de Deus, lembrando o que fora dito ao longo destas semanas, são a mensagem de Deus que antes era oculta e que fora revelada em Jesus Cristo, o qual foi crucificado tendo depois ressuscitado.
Embora também aqui, e entendendo todo o contexto que vimos na semana passada, inclui também todo o conselho de Deus.
Desta forma, os ministros servem apenas Cristo. Estão também investidos de autoridade apenas quando são despenseiros ou proclamadores de todo o conselho de Deus e isto é a forma mais sublime de servir o povo de Deus.
Assim, Paulo disse aos cristãos para verem os seus líderes como servos de Cristo e proclamadores da Sua Palavra. Logo, não são proclamadores das suas ideias pessoais ou da sabedoria do mundo.
Poderão os irmãos pensar… Mas não somos todos servos de Cristo e também proclamadores da Sua Palavra?
Com toda a certeza que sim, no entanto, a responsabilidade primária, o que não anula a responsabilidade de todo o cristão, é dos líderes da Igreja. Eles devem ser o exemplo de como servir a Deus com a boca e com a sua vida.
Os pastores são chamados para pastorearem e não para serem pastoreados pelo rebanho, ainda que Deus use o Seu rebanho para ministrar pontualmente os Seus pastores.
Aliás, e olhando para as qualificações dos presbíteros, em I Timóteo 3, há aspectos que são responsabilidade de todos os cristãos. Por exemplo, os cristãos não devem ser dados ao vinho, como devem ser sóbrios, hospitaleiro, etc. Há apenas 2 aspectos que são diferentes: 1º Apto para ensinar. 2º Não ser um novo na fé.
Significa então isto, que os líderes que são servos de Cristo e proclamadores de todo o conselho de Deus devem ser apenas instrumentos visíveis de como as vossas vidas devem apontar a Cristo.
Este ponto não eleva os presbíteros a um nível de superioridade mas sim a um nível de responsabilidade e de uma responsabilidade servil. Apenas dizer isto as minhas pernas tremem!
2 Ora, além disso, o que se requer nos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel.
Naquela altura, os despenseiros eram os escravos e eram escolhidos para esta tarefa apenas aqueles que fossem mais fieis, tal era a responsabilidade que tinham.
Olhando para a Igreja, os líderes têm que ser fiéis a Deus e isto é tudo o que uma Igreja pode desejar face ao seu pastor.
Uma Igreja que ame o seu pastor, deve desejar e orar para que ele tenha tempo para orar, estudar e meditar nas Escrituras para que possa ministrar ao rebanho de Deus. Por isso, deve ajudá-lo a não ter outras tarefas que retirem este foco.
É precisamente o que vimos a semana passada e o que mais eu anseio ouvir da parte de Deus… Mateus 25:21E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.
A fidelidade a Deus é o mais importante na vida do Cristão e a vida dos líderes, como responsabilidade primária, é espelharem essa fidelidade na forma como vivem e falam.
3 Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo.  
Paulo ao dizer estas palavras simplesmente mostrava que a função de um líder não é ter um grupo de seguidores ou fans mas um servir um rebanho para que este seja um seguidor de Cristo.
Ao dizer estas palavras, mostrou que não estava preocupado com o julgamento das pessoas, nem de algum tribunal humano ou até mesmo sobre o que Ele pensasse.
3 Aspectos podemos perceber para todos os cristãos:
Quando queremos ser fiéis a Deus, pouco importa o que as pessoas ao nosso lado possam dizer.
Isto não revela arrogância até porque devemos ouvir irmãos com mais maturidade cristã.
O que Paulo estava a dizer era que o padrão para a nossa vida encontramos na Palavra e por isso não importa o que outros possam dizer que não seja revelado na Palavra.
2º Talvez, daqui a uns anos – isto não é uma profecia – talvez compreendamos muito melhor o que Paulo está a dizer com o tribunal humano.
Aliás, falarmos contra certas coisas, quase que já somos julgados em praça pública.
3º Um dos nossos maiores ídolos e por isso a quem mais queremos agradar, é a nossa pessoa.
Quando fazemos as coisas para agradarmos o nosso ego, aumentar a nossa “auto-estima” ou fazer como se fossemos o fim último de todas as coisas, estamos a pecar.
Por isso, não pode ser também a nossa consciência a julgar a quem nós desejamos ser fiéis.
É a Palavra que nos julga e é a ela que temos de ser fiéis.
Um dia falaremos também sobre a importância, em certa medida, da nossa consciência (Romanos 14).
Com estas palavras Paulo simplesmente perguntou:
A quem querem agradar com as vossas palavras e com a nossa vida? Vocês querem ser fiéis a quem? Estão preocupados com o julgamento de quem?
V4 Porque, embora em nada me sinta culpado, nem por isso sou justificado; pois quem me julga é o Senhor.  
Percebemos neste texto que Paulo não tinha qualquer pecado que não tivesse sido confessado ou, por outro lado, que vivesse de forma habitual nele.
No entanto, não é a sua consciência que o vai julgar, logo não é por isso que será considerado inocente.
É o Senhor através da Sua Palavra que o irá julgar.
Assim, Paulo considerou que a nossa consciência pode ser enganosa logo não poderemos pensar “A minha consciência em nada me acusa”.
É o Senhor que nos julga meus irmãos ainda que nós possamos julgar com recta justiça.
João 7:24Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a recta justiça”, isto é, julgar se algo é certo ou errado mas sempre com a Palavra.
Ao dizer estas palavras, Paulo mostrou que não procurava a aprovação dos membros da Igreja para proclamar todo o conselho de Deus. Ele sempre foi um proclamador fiel.
Quando assim acontece, mostra-se que não se procura um “grupos de fans”, procura-se sim pessoas que através do anúncio da Palavra de Deus sejam fiéis ao próprio Deus.
A mensagem de Cristo pode ser considerada loucura mas a maior loucura é não a proclamarmos.
V5 Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor.  
A Bíblia é um livro de tensões. Este versículo e ao lermos o capítulo a seguir podemos perceber isso.
Paulo disse para não julgarem antes do tempo, mas no capítulo 5, ele repreendeu a Igreja severamente por deixar de agir ou julgar com disciplina um caso de imoralidade.
Neste versículo, ele não anula a responsabilidade dos cristãos de analisarem todo o ensino ministrado pelo Pastor segundo as Escrituras.
Seguir o que o pastor diz apenas porque ele é o pastor da Igreja, sem se perceber se o conteúdo tem respaldo bíblico, simplesmente está-se a seguir o líder e não a Cristo. E foi isso que Paulo condenou nos primeiros capítulos desta carta.
O ponto é: Não julguem os vossos líderes segundo os vossos gostos pessoais, ou até pelas diferenças teológicas na forma de resolver algumas tensões existentes na Palavra de Deus e muito menos os julguem nas intenções com que eles fazem determinadas coisas.
Isto não é só do rebanho para o pastor, é também do pastor para o rebanho.
É Deus quem mostrará as nossas reais intenções no ministério.
Estava a ler a biografia de George Whitefield que tinha sido colega de John Wesley. Eram grandes amigos. Em 1741 começaram a discordar teologicamente mas continuaram a falar sempre com grande respeito. Antes de morrer, George Whitefield pediu que o seu grande amigo John Wesley fizesse o seu funeral mesmo tendo visões contrárias quanto à Salvação.
John Wesley aquando a morte do seu amigo George Whitefield disse “Hoje morreu um grande homem de Deus”.
Ainda esta semana dizia ao pastor Sabino. Apesar de pensarmos diferente em alguns aspectos, se eu morrer, quero que sejas tu a fazer o meu funeral.
Tudo isto acontece quando percebemos que a nossa ligação em Cristo é muito superior a qualquer outra coisa que possa até ser importante.
Voltando ao texto, Paulo escreveu estas palavras porque as pessoas estavam a desprezar-se umas às outras por serem seguidoras de homens diferentes “Eu sou de Paulo, eu sou Apolo, eu sou de Pedro, etc”.
Percebendo o contexto de Corinto podemos perceber o que Paulo quis dizer… “Podemos ter afinidades teológicas, congregacionais ou outras quaisquer, mas a única afinidade que realmente importa é a ligação que todos temos à pessoa de Jesus. Por isso, é que em Cristo somos um”.
Deus é quem dá o louvor às pessoas e nós honramos as pessoas na medida daquilo que Deus faz nelas e através delas.
V6a Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós;
Paulo disse de uma forma muito clara e humilde… Aquilo que eu vos falo, foi aquilo que eu apliquei para o meu ministério.
A responsabilidade primária, não isentando por isso as outras pessoas - daí ter escrito esta carta – tem que começar nos líderes da Igreja.
Tudo é de Cristo e para Cristo. Toda a Glória deve ser dada a Ele.
Assim meus irmãos podemos tirar algumas aplicações:
1º Como ministro de Deus, as únicas coisas importantes que tenho para vos dizer são quando as mesmas têm respaldo bíblico.
Eu não tenho um novo alimento para vos dar. Eu apenas vos dou o alimento que já nos fora dado.
Apenas preparo o alimento com os ingredientes bíblicos e o sirvo a vós para que cheguem ao bom pastor.
Este é o meu compromisso com Deus e convosco. Pregar com fidelidade todo o conselho de Deus.
Tudo o que precisamos está na Palavra.
Todo o crescimento que não seja sustentado pela Palavra tem os dias contados.
SALMOS 127:1 Se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores. Se não for o Senhor a guardar a cidade, em vão vigiam as sentinelas”.
Eu não tenho revelações especiais, porque se as tivesse, estaria a dizer que o que está nas Escrituras não é Suficiente.
Prego expositivamente e sequencialmente para não fugir de todo o conselho de Deus.
Isto é a forma de os irmãos perceberem que o meu objectivo no ministério, não digo que quem não o faça não o seja, é de ser fiel às Escrituras.
A mensagem de Cristo pode ser considerada loucura mas a maior loucura é se não a proclamarmos.
Não tenho como objectivo ser popular entre os irmãos ou no meio baptista, ainda que possa ser tudo tentador, mas tenho como objectivo ser fiel à Palavra. É aqui que invisto maior parte do meu tempo.
Estou aqui para servir a igreja e isso só acontece quando imito o supremo pastor: Cristo.
Algumas perguntas…
Jesus disse que “veio para servir”. Mas será que serviu segundo os interesses das pessoas à Sua volta ou até mesmo daqueles que lhe eram mais próximos?
O que faria Jesus se tivesse seguido as expectativas da multidão?
O que teria feito Jesus se seguisse os conselhos de Pedro e não fosse em direcção à cruz?
Nós não estamos na Igreja para discutir e promover a nossa "primazia", mas sim para exaltar a primazia de Cristo nas nossas vidas.

Que Deus nos ajude!

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